Exma. Sra. Presidente da Assembleia Municipal
Exmo. Sr. Presidente da Câmara Municipal
Exmos. Senhores Vereadores
Caríssimos membros da Assembleia Municipal
Exmos. Senhores Presidentes das Juntas de Freguesia e das Assembleias de Freguesia
Senhores convidados presentes
Minhas senhoras e meus senhores
"Meus senhores, como todos sabem, há diversas modalidades de Estado. Os estados socialistas, os estados capitalistas e o estado a que chegámos. Ora, nesta noite solene, vamos acabar com o estado a que chegámos!
Salgueiro Maia
O objetivo de Salgueiro Maia e dos restantes capitães de abril está também bem patente na resposta que deu a Marcelo Caetano, quando este lhe perguntou qual era o objetivo político dos revolucionários: “o nosso objetivo é tão só liberdade e democracia. O resto não é connosco mas sim com o povo.”
E o povo saiu à rua. A revolução foi feita com viaturas da segunda guerra mundial, umas sem arma, outras sem munições. Foi uma revolução “a martelo”, sem ensaio geral, uma demonstração histórica do tão lusitano ‘desenrascanso’. Tudo podia ter corrido mal, mas a sorte protege os audazes. E o regime acabou por cair de podre.
Eu não vi abril chegar. Nasceria 5 meses depois da revolução dos cravos. Na pequena aldeia onde cresci, Abril chegou devagar. A revolução não se fazia sentir no dia-a-dia das pessoas, que continuavam a trabalhar de sol a sol como se nada se tivesse passado. Mas devagar, a diferença foi-se fazendo sentir. As eleições para a Assembleia Constituinte, um ano mais tarde, foram a primeira grande mudança. Pouco a pouco, as liberdades e os direitos conquistados foram recordando ao povo que o povo é quem mais ordena. E foram recordando aos governantes no poder que o poder é efémero e só dura enquanto o povo deixar.
Passados que são 44 anos sobre esta decisão de virar o rumo da história e acabar com o estado a que tinha chegado o país, o que é que mudou? Fará sentido falar ainda nos ideais de Abril? Estarão esses ideais verdadeiramente cumpridos?
As conquistas de Abril foram muitas, mas lentas. Bem podemos argumentar que 44 anos é pouco, que esta democracia é jovem, mas a verdade é que tem sido uma democracia de avanços, recuos e inversões de marcha, conforme o partido que está no poder, apostado em desfazer o que os outros fizeram antes, para depois fazer igual… ou pior.
A classe política do pós-revolução caiu rapidamente do pedestal, e não é difícil perceber porquê.
Na opinião de Salgueiro Maia, o 25 de abril só poderia ter sido feito por militares sem aspirações políticas. Se estivéssemos à espera que a oposição ao regime se entendesse na partilha do poder, o 25 de abril nunca teria acontecido. Anos mais tarde, confessar-se-ia profundamente desiludido com o poder político do pós 25 de abril, para quem o compadrio e a corrupção pareciam ser o objetivo principal. Cito: “Os nossos políticos têm uma grande preocupação em serem bem reformados, e nula preocupação em serem bem formados.”
Cada vez mais as pessoas se afastam da política, a taxa de abstenção subiu de 8,5% em 1975 para uns preocupantes 44% em 2015 e o sentimento dominante é de descrença relativamente à classe política. Mas se quase metade dos eleitores portugueses escolhem ficar em casa na hora de votar, não se abstêm de escrutinar com atenção a actividade daqueles que não elegeram. Na televisão, nos jornais, nas redes sociais, todo e qualquer político que cai em desgraça é mais uma machadada na já tão má fama de toda a classe política. É mais do mesmo – ir votar para quê, se eles são todos iguais?
E como contrariar esta forma de pensar, se ainda há dias ouvimos na comunicação social um ex-primeiro-ministro admitir que a vaidade é a única motivação que encontrou ao longo da vida para a atividade política?
É urgente repensar a atividade política no nosso país.
Não é algo que possamos encarar com leviandade, mas sim com sentido de missão. E essa missão tem que ser recordada e refletida a cada dia, por quem a assumiu. Cada um de nós tem que fazer um exame de consciência e perguntar a si próprio como usar o seu mandato para melhorar a vida concreta dos cidadãos. Urge portanto restabelecer a confiança dos eleitores e o reconhecimento do trabalho político. Mas temos que ser nós a dar o primeiro passo, temos que ser nós a repensar as nossas motivações, e a exercer a política com menos demagogia e mais verdade, com menos hipocrisia e mais honestidade, com menos arrogância e mais humildade. E também, claro, com menos vaidade.
Desengane-se quem pensa que o problema está nos eleitores. Desengane-se quem espera que com grandes discursos, comícios e jantares consegue recuperar a confiança de quem se desencantou. Tem que começar por nós, os eleitos, e pelas nossas ações diárias. Não estamos no poder graças a um qualquer mandato divino, como os reis de antanho, mas sim porque a Maria e o Manel saíram de sua casa num Domingo e foram colocar uma cruz no boletim de voto. E nessa cruz colocaram a sua esperança numa vida melhor. Temos por isso o dever sagrado de respeitar quem nos elegeu, quem colocou essa cruz no boletim, honrando os compromissos assumidos e abstendo-nos de toda e qualquer ação que suscite sequer uma centelha de dúvida acerca da nossa integridade. Quanto mais não seja, para que nas próximas eleições a Maria e o Manel voltem a sair de casa para votar, mesmo que chova.
Tenhamos a consciência de que estamos aqui para deixar a nossa marca, para fazer o que precisa de ser feito, para transformar o que precisa de ser transformado, para deixar um rasto de esperança no futuro. Para que isso aconteça, não podemos limitar-nos a fazer bem, estamos cá para fazer O bem. Temos que despir as nossas efémeras capas de super-heróis e descer do pedestal em que nos colocámos.
Só assim devolveremos a confiança aos eleitores e combateremos a abstenção, essa que é o calcanhar de Aquiles da democracia. De cada vez que deixamos de exercer o direito de voto, deitamos por terra a oportunidade de escolher diferente. Deixamos cair em esquecimento a luta dos nossos pais e dos nossos avós por um direito que lhes foi negado durante décadas. Deixamos que se perpetue a ideia de que não há alternativa. Deixamos que os outros escolham por nós.
Desde 1974 que o poder em Portugal tem saltado entre dois grandes partidos, qual bola de pingue-pongue, e que em todas as eleições, em nome da estabilidade, pedem aos eleitores uma maioria absoluta. Uma maioria que lhes permita governar pacificamente e sem interferências. Pois bem, isso significa o quê? Será a maioria absoluta um sinal inequívoco da vontade dos eleitores? Ou será também um sinal do descontentamento de quem ficou em casa, e que assim fazendo, passa um cheque em branco a quem votou?
Nas eleições legislativas de 2015 os eleitores transmitiram-nos uma mensagem inequívoca que as coisas não podiam ficar na mesma. Nenhuma força política conseguiu a tão desejada maioria clara (já não se diz absoluta, que é feio…), o que obrigou a uma solução governativa diferente. O mesmo se passou em Espanha, obrigando a meses de negociações e à marcação de novas eleições, com resultados idênticos aos primeiros, e mais recentemente na Alemanha, onde os dois partidos do arco da governação acabaram por se coligar novamente após meses de negociações.
Ao contrário do que aconteceu nesses países, em Portugal a solução governativa encontrada apanhou de surpresa quem esperava uma coligação do “centrão” – os votos dos 56% dos eleitores não traduziram uma preferência expressa por nenhum dos partidos do arco da governação, antes pelo contrário. O aumento significativo nos votos conquistados pelos partidos mais à esquerda, relativamente às eleições de 2011, foram uma indicação clara de que o país tinha que mudar de rumo.
A solução de governo encontrada, a tão famosa geringonça, é algo inédito na democracia portuguesa e não agradou a todos, começando pela oposição que anunciou o apocalipse e acabando nas instituições europeias, que fizeram soar os alarmes de perigo de mais uma bancarrota. Esta é de facto uma geringonça, instável, apoiada em três pernas bambas, três partidos tão ideologicamente diferentes entre si, mas que conseguiram encontrar pontos comuns. Cada um deles teve que abdicar de algo, teve que sacrificar parte do seu programa político, em prol de um trabalho de equipa que obriga a negociações permanentes, puxando de um lado e cedendo do outro, e que conseguiu o que muitos julgavam ser um conto de crianças: o défice caiu, Bruxelas rendeu-se, o bicho papão não existe e a geringonça continua de pé.
E agora, para onde vamos? Ainda há tanto por fazer...
Livramo-nos da troika, mas continuamos colonizados pelo poder da ditadura económica. É uma ditadura silenciosa, mas eficiente. Empobrece sem violência, silencia sem censura, tortura sem deixar marcas.
Escondida debaixo de uma máscara de liberdade e democracia, vai-nos matando aos poucos sem que demos por isso.
Não, não podemos afirmar que estão cumpridos os ideais de abril. Como canta Sérgio Godinho, “Só há liberdade a sério quando houver a paz, o pão, habitação, saúde, educação. Só há liberdade a sério quando houver liberdade de mudar e decidir, quando pertencer ao povo o que o povo produzir”.
Quando pertencer ao povo o que o povo produzir… não aos bancos, não às grandes fortunas, não aos donos disto tudo!
Enquanto o salário mínimo nacional continuar aquém da média dos valores praticados na União Europeia…
Enquanto não houver trabalho digno e estável para todos e forem revertidas as alterações ao código de trabalho e devolvidos por inteiro os direitos perdidos nos anos da troika…
Enquanto não houver verdadeira igualdade laboral entre homens e mulheres, seja ela salarial ou de oportunidades…
Enquanto o abandono escolar no nosso país for dos mais altos da União Europeia…
Enquanto faltarem médicos de família e serviços de saúde de qualidade para todos…
Enquanto os nossos jovens forem forçados a emigrar, não por vontade própria mas porque não encontram no nosso país o trabalho, o acesso a bolsas de investigação ou o apoio à actividade artística de que necessitam…
Enquanto o interior do país continuar remetido para segundo plano, vendo encerradas infra-estruturas básicas e reduzido o investimento público…
Enquanto formos reféns da ditadura económica que tira aos pobres para dar aos ricos…
Enquanto não existir igualdade de oportunidades para todos e confiança na nossa capacidade coletiva para construirmos um futuro melhor...
… Abril não estará cumprido.
Saibamos por isso preservar o que nos foi dado, sejamos os filhos dessa madrugada gloriosa e continuemos a fazer florir os cravos da liberdade e da democracia. Com coragem e sentido de responsabilidade.
Sejamos dignos da memória de abril.
Termino como comecei, com uma frase de Salgueiro Maia: “Não se preocupem com o local onde sepultar o meu corpo. Preocupem-se é com aqueles que querem sepultar o que ajudei a construir.”
Viva o 25 de abril!
Viva Portugal!
Salomé Bizarro
quinta-feira, 26 de abril de 2018
quarta-feira, 7 de março de 2018
Intervenção BE na Assembleia Municipal (26 Fev 2018)
Breve síntese de alguns dos assuntos e das propostas que o Bloco de Esquerda, através de Salomé Bizarro e Tiago Acúrcio, levou à sessão da Assembleia Municipal de 26 de Fevereiro de 2018.
TRANSMISSÃO VÍDEO DAS SESSÕES DE ASSEMBLEIA MUNICIPAL FOI CHUMBADA
Iniciativa decisiva para garantir maior transparência nas sessões da assembleia municipal, a gravação e difusão vídeo destas sessões era uma medida que o Bloco de Esquerda já havia destacado em campanha eleitoral. Nesse sentido, o BE levou essa proposta à comissão que reviu o regimento de funcionamento da assembleia.
A proposta bloquista contemplava uma nova redação para o art. 37º do regimento, nomeadamente nos números 2 e 3, que passariam a dispor o seguinte:
2- As reuniões da Assembleia Municipal podem ser filmadas e difundidas on-line pelos serviços da câmara municipal, que devem manter os respetivos registos e, na medida do possível, disponibilizá-los no sítio eletrónico do município.
3- Serão implementadas medidas de salvaguarda dos direitos de imagem, quando haja lugar a intervenções dos munícipes nas sessões da assembleia municipal, nos termos da Lei de Proteção de Dados Pessoais e do Artigo 79º do Código Civil.
Todavia, tal redação, que permitiria aos condeixenses ter pleno conhecimento da atividade da assembleia municipal e do trabalho dos seus membros, foi chumbada pelo PS, PSD e CDU, merecendo apenas os votos favoráveis dos dois deputados municipais do Bloco de Esquerda.
CHUMBADA A PROPOSTA PARA PROIBIÇÃO DA UTILIZAÇÃO DE ANIMAIS EM CIRCOS E ATIVIDADES ITINERANTES TEMPORÁRIAS NO CONCELHO DE CONDEIXA-A-NOVA
O Bloco de Esquerda apresentou uma proposta de recomendação à Câmara Municipal de Condeixa-a-Nova, para que não fossem emitidas mais licenças a espetáculos circenses ou outras atividades itinerantes temporárias que incluam a exibição ou utilização de animais. A iniciativa bloquista foi chumbada, com os votos contra das bancadas do PS e PSD.
O Bloco justificou a proibição da utilização de animais selvagens em circos com a preocupação crescente com o bem-estar animal, com as condições de acondicionamento e transporte destes animais amplamente precárias, em virtude das características itinerantes dos circos, com o perigo à saúde e segurança pública e com os sinais contrários em termos de educação ambiental e conservação da natureza.
O espetáculo do circo com animais selvagens é profundamente antipedagógico, principalmente numa época em que as preocupações ambientais e com o bem-estar animal são cada vez mais presentes, entende o BE.
VOTO DE SAUDAÇÃO: DIA INTERNACIONAL DA MULHER
Foi aprovado um voto de saudação pelo Dia Internacional da Mulher, saudando, também, todas as pessoas que ativa e empenhadamente lutam por uma sociedade sem discriminação em função do género, iniciativa apresentada pelo Bloco.
A proposta do BE foi antecedida de uma contextualização histórica da instituição daquela data comemorativa, com origem em 1910, na Segunda Conferência Internacional de Mulheres Socialistas em Copenhaga. Foi aí que Clara Zetkin propôs a instituição de uma celebração anual das lutas pelos direitos das mulheres trabalhadoras. A ideia expandiu-se nos anos seguintes a vários países da Europa, aos Estados Unidos e à União Soviética, onde no dia 8 de março de 1917 milhares de operárias se manifestaram contra as más condições de vida e trabalho. A data foi posteriormente instituída como Dia Internacional da Mulher pelo movimento internacional socialista e adotado pela ONU em 1975, com o objetivo de lembrar as conquistas sociais, políticas e económicas das mulheres, independentemente de divisões nacionais, étnicas, linguísticas, culturais, económicas ou políticas.
LIMPEZA DE TERRENOS E SAPADORES FLORESTAIS
O Bloco de Esquerda solicitou esclarecimentos ao executivo municipal em relação ao processo de limpeza de terrenos, que tem estado na ordem do dia. A data limite para a limpeza é 15 de março para os privados, enquanto a câmara municipal terá até dia 30 de abril para limpar os caminhos e estradas municipais e até 31 de maio para limpar o que não foi feito pelos privados. Foi, também, referido pelo executivo que está calculada uma área de 3065ha em Condeixa que deverá ser limpa, da qual 155ha em redor de edifícios isolados, 996ha em floresta, matos e pastagens e 131ha de rede viária e zona industrial.
O BE questionou ainda a CMC sobre o estado o concurso público para a contratação de sapadores florestais. Em resposta, foi dito que o concurso poderá demorar até 6 meses, mas que eventualmente poderá estar findo num prazo mais curto.
DEGRADAÇÃO NOS PARQUES INFANTIS
O Bloco alertou a câmara municipal para a degradação patente em alguns dos parques infantis do concelho, questionando o executivo acerca da periodicidade de manutenção dos referidos equipamentos. Em resposta, a câmara municipal afirmou que a manutenção destes espaços é mensal. Já em relação à possibilidade de serem instalados equipamentos específicos para crianças com necessidades especiais, reivindicada pelo BE, o executivo afirmou que tal possibilidade está a ser analisada.
TRANSMISSÃO VÍDEO DAS SESSÕES DE ASSEMBLEIA MUNICIPAL FOI CHUMBADA
Iniciativa decisiva para garantir maior transparência nas sessões da assembleia municipal, a gravação e difusão vídeo destas sessões era uma medida que o Bloco de Esquerda já havia destacado em campanha eleitoral. Nesse sentido, o BE levou essa proposta à comissão que reviu o regimento de funcionamento da assembleia.
A proposta bloquista contemplava uma nova redação para o art. 37º do regimento, nomeadamente nos números 2 e 3, que passariam a dispor o seguinte:
2- As reuniões da Assembleia Municipal podem ser filmadas e difundidas on-line pelos serviços da câmara municipal, que devem manter os respetivos registos e, na medida do possível, disponibilizá-los no sítio eletrónico do município.
3- Serão implementadas medidas de salvaguarda dos direitos de imagem, quando haja lugar a intervenções dos munícipes nas sessões da assembleia municipal, nos termos da Lei de Proteção de Dados Pessoais e do Artigo 79º do Código Civil.
Todavia, tal redação, que permitiria aos condeixenses ter pleno conhecimento da atividade da assembleia municipal e do trabalho dos seus membros, foi chumbada pelo PS, PSD e CDU, merecendo apenas os votos favoráveis dos dois deputados municipais do Bloco de Esquerda.
CHUMBADA A PROPOSTA PARA PROIBIÇÃO DA UTILIZAÇÃO DE ANIMAIS EM CIRCOS E ATIVIDADES ITINERANTES TEMPORÁRIAS NO CONCELHO DE CONDEIXA-A-NOVA
O Bloco de Esquerda apresentou uma proposta de recomendação à Câmara Municipal de Condeixa-a-Nova, para que não fossem emitidas mais licenças a espetáculos circenses ou outras atividades itinerantes temporárias que incluam a exibição ou utilização de animais. A iniciativa bloquista foi chumbada, com os votos contra das bancadas do PS e PSD.
O Bloco justificou a proibição da utilização de animais selvagens em circos com a preocupação crescente com o bem-estar animal, com as condições de acondicionamento e transporte destes animais amplamente precárias, em virtude das características itinerantes dos circos, com o perigo à saúde e segurança pública e com os sinais contrários em termos de educação ambiental e conservação da natureza.
O espetáculo do circo com animais selvagens é profundamente antipedagógico, principalmente numa época em que as preocupações ambientais e com o bem-estar animal são cada vez mais presentes, entende o BE.
VOTO DE SAUDAÇÃO: DIA INTERNACIONAL DA MULHER
Foi aprovado um voto de saudação pelo Dia Internacional da Mulher, saudando, também, todas as pessoas que ativa e empenhadamente lutam por uma sociedade sem discriminação em função do género, iniciativa apresentada pelo Bloco.
A proposta do BE foi antecedida de uma contextualização histórica da instituição daquela data comemorativa, com origem em 1910, na Segunda Conferência Internacional de Mulheres Socialistas em Copenhaga. Foi aí que Clara Zetkin propôs a instituição de uma celebração anual das lutas pelos direitos das mulheres trabalhadoras. A ideia expandiu-se nos anos seguintes a vários países da Europa, aos Estados Unidos e à União Soviética, onde no dia 8 de março de 1917 milhares de operárias se manifestaram contra as más condições de vida e trabalho. A data foi posteriormente instituída como Dia Internacional da Mulher pelo movimento internacional socialista e adotado pela ONU em 1975, com o objetivo de lembrar as conquistas sociais, políticas e económicas das mulheres, independentemente de divisões nacionais, étnicas, linguísticas, culturais, económicas ou políticas.
LIMPEZA DE TERRENOS E SAPADORES FLORESTAIS
O Bloco de Esquerda solicitou esclarecimentos ao executivo municipal em relação ao processo de limpeza de terrenos, que tem estado na ordem do dia. A data limite para a limpeza é 15 de março para os privados, enquanto a câmara municipal terá até dia 30 de abril para limpar os caminhos e estradas municipais e até 31 de maio para limpar o que não foi feito pelos privados. Foi, também, referido pelo executivo que está calculada uma área de 3065ha em Condeixa que deverá ser limpa, da qual 155ha em redor de edifícios isolados, 996ha em floresta, matos e pastagens e 131ha de rede viária e zona industrial.
O BE questionou ainda a CMC sobre o estado o concurso público para a contratação de sapadores florestais. Em resposta, foi dito que o concurso poderá demorar até 6 meses, mas que eventualmente poderá estar findo num prazo mais curto.
DEGRADAÇÃO NOS PARQUES INFANTIS
O Bloco alertou a câmara municipal para a degradação patente em alguns dos parques infantis do concelho, questionando o executivo acerca da periodicidade de manutenção dos referidos equipamentos. Em resposta, a câmara municipal afirmou que a manutenção destes espaços é mensal. Já em relação à possibilidade de serem instalados equipamentos específicos para crianças com necessidades especiais, reivindicada pelo BE, o executivo afirmou que tal possibilidade está a ser analisada.
quinta-feira, 27 de abril de 2017
Intervenção BE - Comemorações 25 de Abril de 2017
Eu vi Abril por fora e Abril por dentro
vi o Abril que foi e Abril de agora
eu vi Abril em festa e Abril lamento
Abril como quem ri como quem chora.
Eu vi chorar Abril e Abril partir
vi o Abril de sim e Abril de não
Abril que já não é Abril por vir
e como tudo o mais contradição.
(Manuel Alegre)
Ao contrário de Manuel Alegre, eu não vi “esse abril” por dentro! Para a minha geração, celebrar abril pressupõe a invocação da memória histórica coletiva de um povo mas também o respeito e consideração pela memória individual de cada um, e de cada uma, dos que viveram “os dias mais felizes das suas vidas”: um tempo de festa, de audácia, de alegria, de entusiasmo sem limites, um tempo ativo e diligente, em que a política estava em todo e qualquer lugar; um tempo de decidir e de fazer, de combater e partilhar, de vencer rotinas e atrasos, porque mais do que de “conquista do poder”, era de conquista de felicidade que se tratava.
Como acontecimento global que mudou determinada estrutura social, subvertendo valores, crenças, comportamentos e modelos políticos, culturais ou éticos, a revolução, sendo história, foi muito mais do que isso. A revolução de Abril foi a soma das várias revoluções, tantas quantos a viveram, mais ou menos intensamente, com visões e conceitos distintos, é certo, mas com o mesmo sentimento de Liberdade.
Saúdo com máxima estima e consideração, o corajoso levantamento militar conduzido pelos Capitães naquela madrugada tão esperada, em 25 de Abril de 1974, que abriu portas para um país novo, um país mais livre, mais justo e mais fraterno. Portugal Democrático.
Saúdo com respeito e admiração, os homens e as mulheres do meu país, o povo português, que tendo percecionado o ímpeto dessa força militar, coadjuvou os capitães de abril, juntando-se a estes na luta por um estado de direito democrático, no qual vigoraria o primado da soberania popular.
A todos quero expressar a minha gratidão e asseguro que tudo farei para manter vivo e para fazer cumprir o ideário de abril, essa herança tão valiosa que nos deixaram! Esse sonho inspirador, esse projeto inacabado, esse abril já feito e ainda por fazer!
O 25 de abril é um marco histórico! Representa uma transformação revolucionária, a alteração de regime político e um ponto de viragem histórica no nosso percurso como país, traduzida numa profunda transformação da economia e da sociedade portuguesa.
Abril tornou possível libertar os presos políticos, assegurar o regresso dos exilados, restabelecer direitos fundamentais da pessoa humana como a livre expressão do pensamento e opinião, a liberdade de imprensa, a livre criação de associações e partidos políticos, a organização de eleições livres, a descolonização e a independência das colónias, a elaboração de uma nova Constituição da República Portuguesa (que viria a ser promulgada, na sua versão inicial, em abril de 1976) que inscreveria os valores democráticos basilares: a IGUALDADE, LIBERDADE e FRATERNIDADE.
Gradualmente, o povo português foi conquistando um conjunto de direitos económicos e sociais como o salário mínimo, contratação coletiva, subsídios de férias e de Natal, segurança social, saúde, educação. Registaram-se profundas alterações em diversas matérias: participação no poder central, regional e local, independência dos tribunais, autonomia administrativa do Poder Local, liberdades fundamentais, avanço no papel da mulher na sociedade portuguesa, em abertura externa, em qualidade de vida.
Mas nem tudo são cravos neste processo! Se os benefícios foram incomensuráveis, os custos também foram de elevada monta.
A história do Portugal democrático é feita de avanços e recuos, de conquistas e derrotas, que legitimam as queixas, as frustrações e a indignação que também eu tenho partilhado convosco, ano após ano, nestas comemorações.
O ano passado falei-vos da constituição dos "donos disto tudo", da sobreposição da lógica financeira aos princípios da dignidade humana, do Capitalismo clientelista e de compadrio, da ditadura dos mercados, da vassalagem aos banqueiros, da existência de uma justiça para ricos e outra para pobres, da política de clientelismo, influências e mordomias obscenas, do enriquecimento ilícito, do descrédito dos políticos, da consolidação de uma elite medíocre cujo modus operandi é a cultura da cunha e do amiguismo, da aceleração da fraude e da corrupção.
Fiz um breve retrato de um país que conheceu, em pouco mais de 40 anos de democracia, diversas crises económicas e problemas sociais que nos envergonham: famílias no desemprego, alastramento da pobreza e das desigualdades, crianças privadas de condições de vida dignas, altos níveis de emigração, reformas de miséria e o aumento da idade da reforma, ataque sem precedentes à segurança social, desregulamentação das leis laborais, ataque aos serviços públicos essenciais para a qualidade de vida das populações.
Falei-vos de um país que tem a sua soberania ameaçada pelos ditames de uma Europa decrépita, de um país onde predominava um sentimento generalizado de insegurança, incerteza e de desorientação.
Mas hoje, nesta sessão comemorativa do 43º aniversário de abril, quero falar-vos do país da esperança, do país do futuro, do país mais consentâneo com o 25 de abril de 1974! Quero falar-vos de um país e de um povo que acredita na força viva da democracia, um país cuja solução governativa atual, conjuga forças divergentes ideologicamente mas que convergem no essencial: a crença na possibilidade de edificação de uma sociedade de paz e harmonia, uma sociedade capaz de dotar a totalidade dos seus cidadãos de Saúde, educação, justiça, igualdade de oportunidades, direitos e deveres.
Caros concidadãos
Sabemos todos que são muitos, e em diversas escalas geográficas (desde o mundial ao local), os desafios que se apresentam a este Portugal de futuro.
Numa lógica internacional somos hoje confrontados com a especulação e falta de transparência financeira mundiais, a emergência e proliferação de movimentos xenófobos, racistas e misóginos (cujas ideias ressoam na voz de políticos populistas), a escalada do terrorismo que acentua o medo, promove a intolerância religiosa e conduz ao fechamento das fronteiras.
Numa lógica Europeia, temos a pretensa Europa solidária das nações rendida ao capitalismo selvagem e focada unicamente nos mercados, - um espaço de predação económica aberta. A passar por uma profunda crise do projeto fundador, a europa pauta a sua atuação pela ausência ou morosidade de respostas aos diversos problemas que se lhe apresentam: vaga dos refugiados, aprofundamento das desigualdades das economias do euro, intolerância entre povos expressa em discursos moralistas sobre a disciplina dos do norte e a preguiça dos do sul. Uma Europa que sucumbe aos interesses económicos instrumentalizando a vida humana como uma mera ferramenta e, de pouca importância, quando comparada a siglas ou expressões como o PIB, Dívida Soberana, BCE, Sistema Monetário Mundial ou o próprio EURO. Reflitamos se faz sentido permanecer nesta Europa! Faz sentido permanecer na União Europeia e, muito particularmente, no Euro quando estes são uma fonte permanente de obstáculos à construção de uma economia e uma sociedade mais solidárias?
Ao nível nacional é de sublinhar o esforço para ensaiar alternativas à austeridade e às políticas da Troika sempre em permanente conflito com os poderes europeus e, pese embora, os resultados positivos alcançados já alcançados (uma razoável retoma económica, cerca de 100.000 empregos criados, aumento do salário mínimo, o défice mais abaixo da história do país, diminuição da sobretaxa), a política de estímulos é ainda insuficiente para resolver os problemas causados pela crise económica e social recente. Há pois que colocar redobrado empenho no bom funcionamento da “ geringonça” para que ela cumpra, apesar de todas as dificuldades, os seus propósitos: defesa do Estado Social de Direito, aposta na educação pública, ciência e inovação, defesa do serviço nacional de saúde, combate às desigualdades e à pobreza, combate á precaridade laboral, devolução de rendimentos, mais e melhor democracia e sobreposição do poder político ao poder económico. Condição sine qua non para alcançar esses propósitos: crescimento económico e criação de emprego.
Ao nível local os principais desafios são:
a) Reforço da autonomia local e do princípio da subsidiariedade (que grosso modo significa que “o exercício das responsabilidades públicas deve incumbir, de preferência, às autoridades mais próximas dos cidadãos, tendo em conta a natureza das tarefas a desempenhar e as exigências de eficácia e economia” conforme prescreve a Carta Europeia da Autonomia Local).
b) Descentralização administrativa de competências.
c) Articulação das políticas locais com as políticas inter-regionais, nacionais e europeias de modo a garantir a coesão territorial e o desenvolvimento sustentável.
d) Aprofundar a democracia através do reforço da cidadania. Orçamentos realmente participativos em todas as autarquias, maior responsabilização e comprometimento dos cidadãos, debates públicos, mecanismos de fiscalização mais apurados são importantes para a realização da democracia e do reforço da participação cívica.
Ao nível pessoal, cumpre a cada um e cada uma de nós, combater o indiferentismo e o desinteresse e exercer uma cidadania ativa em qualquer uma das suas vertentes: voluntariado, participação política, ativismo social.
Minhas senhoras e meus senhores,
Perante os constrangimentos listados, perante as situações de contexto, impõe-se a questão: Serão o ideário e o projeto de Abril uma utopia? Talvez sejam. Mas como diria Eduardo Galeano “A utopia está lá no horizonte. Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar.”
No que ao BE diz respeito, enquanto tivermos forças para lutar, seguiremos em frente, na procura dos caminhos da solidariedade e do desenvolvimento humano que pretendemos para o nosso país e para a nossa terra, sempre na busca de uma sociedade mais justa e igualitária.
No concelho de Condeixa caminharemos no sentido da qualificação e acréscimo de democracia, empenhar-nos-emos em fazer de Condeixa um concelho em que se vive a plena liberdade (aqui entendida como paz, pão, saúde, habitação e educação), um concelho que respeite a democracia plena e a pluralidade, um concelho em os que cidadãos não temem perseguições ou ostracização em razão da sua apologia partidária ou ausência dela. Lutaremos para que se exorcizem definitivamente os demónios da ditadura que teimam em reaparecer, com especial incidência, em anos de eleições.
E termino como comecei, com Manuel Alegre!
Vi o Abril que ganha e Abril que perde
Abril que foi Abril e o que não foi
eu vi Abril de ser e de não ser.
Abril de Abril vestido (Abril tão verde)
Abril de Abril despido (Abril que dói)
Abril já feito. E ainda por fazer.
Viva o 25 de Abril,
Viva Portugal!
Viva Condeixa!
Gisela Martins
sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017
Intervenção BE Assembleia Municipal de Condeixa-a-Nova 20-02-2017
No dia 20 de fevereiro, realizou-se uma Sessão da Assembleia
Municipal de Condeixa, onde esteve presente a deputada concelhia do
Bloco de Esquerda, Gisela Martins, que apresentou um conjunto de
recomendações: 1) Reforço da representatividade; 2) Rigor e
transparência; e 3) Luta contra a precaridade; e colocou um conjunto de
questões: 4) Abertura do Museu Poros; 5) Edifício Hospital D. Ana
Laboreiro D’Eça; 6) Ambiente/Saúde Publica – Maus cheiros em Fornos de
Castel e Urbanização Quinta do Barroso; e 7) Educação.
1)
Reforço da representatividade política
Estamos hoje aqui na
reunidos, na pretensa casa da democracia para realizar a ª1 reunião ordinária
da Assembleia Municipal do ano de 2017. Importa por isso, aprofundar esse
conceito de democracia não apenas de forma retórica mas passando à prática. No
decorrer deste mandato, sob as iniciativas de bancadas de quadrante políticos
distintos foram feitas propostas concretas, nomeadamente:
- Pelo BE:
a)
a inclusão de
um espaço de opinião para as diversas forças políticas, no Boletim municipal (
à semelhança do que acontece na cidade geminada de Longjumeau) de modo a: que
este se transformasse num verdadeiro instrumento de informação e não meramente
um boletim de propaganda política que corrobora a lógica altamente
presidencialista do poder local, fosse respeitado o princípio da pluralidade
existente nos órgãos autárquicos, o qual nos termos do artigo 8-A da diretiva
1/2008 da ERC, deve consubstanciar-se na criação de espaços editoriais
dedicados à intervenção dessas mesmas forças;
b) A criação de uma plataforma web destinada à AM. Este seria um espaço
dedicado a divulgar as várias iniciativas da AM, que deveria organizar debates
temáticos online e abertos ao público e publicitá-los. Seria um site para
fornecer informação e apoiar a participação dos cidadãos. Entre outros aspetos
serviria para recolher sugestões de temas para debate, organizar inscrições nos
mesmos, recebimento de pedidos de esclarecimento, comunicações de problemas e
tomadas de posição ou comentários. Seria também um meio de disponibilizar todo
o suporte documental para os debates (esta proposta não aparece nas ata da
Assembleia Municipal de 23-12-2013 porque a análise às GOP e propostas do BE
resultaram numa análise escrita que for anexa à ata).
- Pelo PSD: A gravação
das sessões da Assembleia municipal e posterior divulgação das mesmas.
As propostas do BE foram
ambas recusadas enquanto a do PSD foi consecutivamente adiada com a
justificação de dificuldades ligadas ao “direito de uso de imagem”.
Em face do exposto gostaria de, em nome do BE,
recomendar que passasse a ser gravado, e para não ferir suscetibilidades,
somente o áudio destas assembleias pois só assim será possível ajuizar devidamente tudo aquilo que
efetivamente ocorre nestas sessões. Não se compreende que em pleno século XXI,
e quando se fazem paralelamente investimentos no desenvolvimento do site da autarquia,
não sejam disponibilizados a esta assembleia todos os meios para que o trabalho
aqui desenvolvido seja convenientemente dignificado.
2)
Rigor e transparência
Sendo a transparência uma
exigência cada vez maior na gestão da coisa pública, e tendo por base as
recentes informações que nos dão conta de uma descida do nosso município no Índice
de Transparência Municipal (O Índice de Transparência Municipal (ITM) mede o
grau de transparência das Câmaras Municipais através de uma análise da informação
disponibilizada aos cidadãos nos seus web sites. O ITM é composto por 76
indicadores agrupados em sete dimensões: 1) Informação sobre a Organização,
Composição Social e Funcionamento do Município; 2) Planos e Relatórios; 3)
Impostos, Taxas, Tarifas, Preços e Regulamentos; 4) Relação com a Sociedade; 5)
Contratação Pública; 6) Transparência Económico-Financeira; 7) Transparência na
área do Urbanismo (posição 95 em 2013/posição 190 em 2016), gostaria de saber quais as medidas/ações que este executivo pensa
levar a cabo para inverter tal tendência?
Ainda a respeito da
necessidade de transparência, o Bloco de
Esquerda propõe que seja reduzido ao mínimo essencial o recurso ao ajuste
direto e que, sempre que este ocorra, seja tornado publico, não só na plataforma
central mas também no site Municipal, todo o processo (motivo justificativo,
entidades envolvidas, prazos, justificação da decisão). O escrutínio publico
tem que estar na base dos atos políticos e é uma importante ferramenta de
combate ao clientelismo e corrupção.
3)
Luta Nacional contra a precariedade
As diferentes forças
políticas que suportam a maioria parlamentar de esquerda (vulgarmente designada
de geringonça) acordaram que uma das prioridades políticas seria a Luta contra
a precariedade Laboral no sector Publico e Privado. Se entendermos que no conceito
de precariedade cabem toda a espécie de trabalhos regulares prestados a outrem
sem um vínculo efetivo de trabalho (estágios, falsos recibos verdes, contratos
de emprego e inserção – CEIS) e que esta autarquia tem recorrido, com carácter
regular, a este tipo de subterfúgio como forma de contornar a lei que limita a
contratação pública, gostaríamos de saber quantas pessoas estão ao serviço
deste município nestas condições? Para além de ser falacioso em termos de
dados de emprego, este tipo de práticas propicia o aproveitamento político,
resultante da criação de uma relação de dependência e subsequente clima de medo
de perder o trabalho (exploração da fragilidade).
Compreendendo as
limitações, apontamos caminhos alternativos, nomeadamente o apoio à criação de
cooperativas de trabalhadores em vez da contratação de empresas temporárias de
trabalho temporário, ou outras encapotadas, que enquanto prestadoras de serviços
nas diversas áreas (vejamos o caso recente da empresa Programas e Sorrisos,
Ltda na área da educação) recorrem quase exclusivamente a este tipo de
contratação.
4)
O
Museu Multimédia Portugal Romano e Sicó (PO.RO.S)
Entroncada com a
precariedade de trabalho está, talvez um dia se perceba o porquê, aquele que já
foi por mim denominado como elefante brando mas que por enquanto é cor-de-rosa:
o museu Poros. Depois dos atrasos na conclusão da obra (inicialmente prevista para
finais de Fevereiro de 2015, prorrogado para Junho de 2015), depois dos
consecutivos anúncios de abertura, depois de uma “inauguração fantasma” em
Julho de 2016, depois da contratação de um conjunto de pessoas algumas delas
precárias, o museu continua de portas fechadas ao público abrindo
excecionalmente a título de pedido especial. Caso para perguntar para quando Sr.
Presidente? Será preciso antecipar as eleições autárquicas para o museu ter a
inauguração com a pompa e circunstância que merece? À parte da obra, quanto já
foi despendido com o Poros em termos de pessoal e gastos gerais, desde a sua
Pseudo abertura?
5)
Edifício Hospital D. Ana Laboreiro D’Eça.
-Tendo Presente que o
edifício do antigo centro de saúde está inserido num projeto de candidatura ao
Portugal 2020 tendo como finalidade a sua reabilitação física,
-Tendo presente uma
informação do Sr. Antigo Presidente de Câmara em sessão de AM datada de
21-12-2012, que o Edifício é propriedade desta Câmara Municipal;
-Tendo em conta que já
neste Mandato o Sr. Presidente Nuno Moita informou que o edifício pertence à
fundação D. Ana Laboreiro D’EÇA, de que esta Câmara tem 2 Lugares em 5;
- Tendo em conta que a
propriedade está registada na Conservatória, em nome daquela fundação, o que
vai contra o testamento Inicial dos benfeitores, é imperativo esclarecer de uma
vez por todas:
A) De quem é a posse de facto do
edifício Hospital?
B) Por que motivo a câmara municipal ainda não contestou o registo Predial
reclamando o bem para si visto ter sido esse o espírito do testamento dos
benfeitores?
C) Qual o Ponto de situação relativo aos estatutos da Fundação?
D) Confirma-se que a utilização será destinada à prestação de cuidados
hospitalares? Em que moldes?
Ainda a este respeito o
que foi feito do espólio histórico e material do hospital? Recebemos informação
de que esta câmara já foi alertada para estes factos, diversas vezes e por
diversos munícipes, que aparentemente ainda não estão esclarecidos.
6)
Ambiente/Saúde Publica – Maus cheiros em Fornos de
Castel e Urbanização Quinta do Barroso
Reforçando os alertas
feitos pela bancada do BE, nesta assembleia municipal, para um problema
ambiental causador de danos nas populações de Fornos de Castel e Quinta do
Barroso (União de freguesias do Sebal e Belide), dando inclusivamente conta da
existência de um abaixo-assinado, somos confrontados com um parecer do Núcleo
de Proteção Ambiental do GNR, que está em consonância com as suspeitas por nós
levantadas. Assim sendo, e dados os recentes desenvolvimentos já aqui relatados
anteriormente, nomeadamente a visita de fiscalização pelas diversas entidades
que deu origem a recomendações e posterior notificação camarária visando a
implementação de uma solução para pré tratamento de esgotos e a não descarga
dos mesmos no sistema de tratamento de águas residuais urbanas, importa
perceber:
A) Já se conseguiu aferir resultados positivos da notificação ou ainda se
mantêm as descargas?
B) Já agora, e porque existe um dever de transparência, em que moldes foi dada
a autorização, por esta Câmara Municipal, para a descarga na rede de saneamento
público? Não terá a autarquia sido negligente ou pouco diligente na emissão
dessa autorização?
C) A verificar-se a continuação da incapacidade de tratamento dos detritos,
por parte da empresa, o que pretende a CM fazer em defesa das populações
afetadas? Existe um conjunto de moradores que equaciona venda de imóveis caso a
situação persista.
7) Educação
- Porque sabemos todos da
paixão deste executivo pela educação (motivou diversas publicações na
comunicação social local),
- Porque somos
testemunhas dos esforços feitos pelo presente executivo para evitar que
política municipal para a educação se reduza à gestão mínima de equipamentos e
ao apoio esporádico a eventos ou à contratação e exteriorização de serviços
(caso das refeições ou a ocupação de tempo não letivo),
-Porque a educação deve
ser encarada como estratégia de futuro, como investimento, sendo um pilar
estruturante no planeamento estratégico das políticas públicas locais,
- Porque consideramos que
a estratégia de ação passa pela elaboração de um projeto educativo municipal
inclusivo e amplamente discutido, questionamos: para quando está prevista a
revisão da Carta de educativa de Condeixa, documento basilar deste projeto?
Para concluir, voltamos a
colocar uma questão que ficou sem resposta na última Assembleia Municipal
relativa a um terreno, propriedade da Câmara municipal, sita no Lugar de Eira
Pedrinha. Esta propriedade foi adquirida pela autarquia, há alguns anos, com o
objetivo de ali ser construído o jardim-de-infância mas esse projeto nunca se
concretizou. Nas últimas eleições autárquicas de 2013, o partido PS
comprometeu-se com um novo projeto para o espaço: um parque de merendas que
serviria de apoio ao centro de dia (um outro projeto/ compromisso eleitoral) que
seria criado nas instalações da antiga escola primária de Eira Pedrinha. Sendo
que este último compromisso não pode ser cumprido, que o sitio em questão foi,
no âmbito das festas de 2014, coberto com uma espécie de tuvenan para servir de
parque de estacionamento temporário (sem nenhumas condições), gostaríamos de
saber qual a nova utilização prevista para o espaço e, a existir um novo projeto,
se a população em questão tem conhecimento do mesmo?
quarta-feira, 23 de novembro de 2016
BE Condeixa defende implementação automatizada de tarifa social da água 21-11-2016
PROPOSTA DE RECOMENDAÇÃO
Implementação automatizada de tarifa social da água
A tarifa social da água
“Um dos instrumentos recomendados é a aplicação da tarifa social aos
utilizadores domésticos cujo agregado familiar possua um rendimento
bruto englobável para efeitos de IRS que não ultrapasse determinado
valor, a fixar pela entidade titular do serviço”, como referido na
recomendação da Entidade Reguladora dos Serviços de Água e Resíduos
(ERSAR) de 5 de novembro de 2012.
A ERSAR recomenda aos
municípios a fixação de sistemas eficientes de atribuição de tarifas
sociais a praticar pelos operadores dos serviços de abastecimento de
águas, para que apliquem aquela recomendação no mais breve prazo.
A
ERSAR recomenda ainda “que a tarifa social se traduza na isenção dos
encargos com a tarifa fixa e um desconto significativo através da
aplicação da tarifa do escalão mais baixo até aos 15 m3 por mês. No caso
do serviço de abastecimento de água, para um consumo de 10 m3 por mês, a
percentagem desconto sobre a fatura total atinge, em média, de acordo
com os cálculos efetuados, aproximadamente metade do valor total da
fatura”.
O acesso universal aos serviços de água é um direito
inalienável de todos os cidadãos e cidadãs. Com efeito, desde 1977 que o
direito à água é referido em vários documentos das Nações Unidas. Em
2010, a Assembleia Geral da ONU reconheceu, com o voto favorável de
Portugal, o acesso à água potável e ao saneamento como um direito humano
essencial ao pleno gozo da vida e de todos
os outros direitos
humanos. Em abril de 2011, o Conselho dos Direitos Humanos das Nações
Unidas adotou o acesso a água potável segura e ao saneamento como um
direito humano: um direito à vida e à dignidade (resolução 16/2). Neste
sentido são necessárias medidas que concretizem o direito e o acesso aos
serviços de água.
O mecanismo automatizado na tarifa social da energia
Por
proposta do Bloco de Esquerda, foi alterado no Orçamento de Estado para
2016 o mecanismo de atribuição das tarifas sociais da eletricidade e do
gás natural aos consumidores com comprovada carência económica. Com
esta alteração, o pedido expresso deixou de ser a única forma de aceder a
estes descontos, que passaram a ser atribuídos de forma automática a um
universo de consumidores definido por indicação da Segurança Social e
da Autoridade Tributária.
Este dispositivo automático funciona
com recurso à Plataforma de Interoperabilidade da Agência para a
Modernização Administrativa (AMA) onde são cruzadas as informações do
sistema energético (universo de clientes), da Segurança Social
(beneficiários das prestações de combate à pobreza com condição de
recursos definidas na lei da tarifa social) e da Autoridade Tributária
(famílias com rendimentos até ao limite definido na lei da tarifa
social).
Em poucas semanas de vigência, o novo regime de
atribuição da tarifa social permitiu que o número de beneficiários de
desconto na fatura elétrica passasse dos 140 mil registados em finais de
2015 para quase 700 mil. Verificou-se assim a adequação deste
dispositivo ao objetivo fixado: assegurar a efetiva redução dos custos
energéticos de um amplo setor social com direito legal a este desconto.
A atribuição da tarifa social na água: atribuição através do mecanismo automatizado aos beneficiários
Uma
das dificuldades registadas nos municípios com tarifa social da água é a
sua atribuição. Tal como antes sucedia na energia, a falta de
informação e os entraves burocráticos constituem os principais fatores
de inibição do acesso de potenciais beneficiários da tarifa social de
água a este desconto. A integração dos operadores de serviços de
abastecimento de água neste dispositivo de automatização alargaria muito
o alcance e os efeitos sociais desta medida, recomendada pela regulação
setor e já implementada por numerosas autarquias.
No caso do
abastecimento de água, as entidades abastecedoras são diversas,
verificando-se grande diversidade de práticas. Das 136 autarquias que
responderam ao inquérito do grupo parlamentar do Bloco de Esquerda, 100
afirmam ter estabelecido um tarifário social de água (74% do total de
respostas). Esta amostra, correspondendo a quase um terço do total de
autarquias demonstra a insuficiência do atual quadro em matéria de
acesso ao tarifário social. Nestas 100 autarquias, 42 não atinge os 0,5%
de cobertura do universo de consumidores; 74 ficam aquém dos 2% de
cobertura do universo. Há até 9 municípios sem qualquer beneficiário,
apesar de ter sido estabelecido um tarifário social.
Estando
criado no âmbito da administração pública e já testado com comprovado
sucesso o dispositivo para atribuição automática das tarifas sociais da
energia, nada impede nem justifica que o recurso a esse dispositivo não
ocorra pela parte das entidades competentes no serviço de abastecimento
de água, no âmbito municipal e intermunicipal. A generalização do acesso
a estes descontos, em respeito pela autonomia do poder autárquico e das
deliberações dos seus órgãos nesta matéria, é um fator de combate à
exclusão social e de cumprimento do direito universal de acesso à água.
Atendendo
a esta realidade, o Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda apresentou o
projeto de Resolução “Recomenda ao Governo a disponibilização às
entidades municipais, intermunicipais e multimunicipais competentes do
acesso ao mecanismo estabelecido para a atribuição automática das
tarifas sociais da energia, como contribuição para a adequação e
aperfeiçoamento das tarifas sociais de água por elas aprovadas” aprovado na Assembleia da República a 14 de Novembro deste ano.
O
Orçamento de Estado para 2017 prevê no seu artigo 55.º a “Autorização
legislativa no âmbito da tarifa social para o fornecimento de serviços
de águas”. O artigo prevê que os municípios possam utilizar o mecanismo
automático criado no âmbito da tarifa social da energia para a sua
aplicação na tarifa social da água. Assim, pessoas com carência
económica (“que tem como referência as pessoas beneficiárias de,
nomeadamente, complemento solidário para idosos, rendimento social de
inserção, subsídio social de desemprego, abono de família, pensão social
de invalidez, pensão social de velhice, ou cujo agregado familiar tenha
um rendimento anual igual ou inferior a € 5 808,00, acrescido de 50%
por cada elemento do agregado familiar que não aufira qualquer
rendimento, até ao máximo de 10”) poderão aceder automaticamente à
tarifa social da água.
A presente proposta recomenda a preparação para a adesão (que é voluntária) do município de Condeixa-a-Nova ao referido regime automatizado de tarifa social da água.
A Assembleia Municipal, na sua reunião ordinária de 21 de novembro de 2016, delibera recomendar à Câmara Municipal de Condeixa -a- Nova:
- a preparação para a adesão ao mecanismo automatizado de atribuição de tarifa social da água através do processo de interconexão e tratamento dos dados pessoais entre os serviços da Segurança Social, da Autoridade Tributária e Aduaneira e os municípios, a estabelecer no âmbito do disposto no Orçamento de Estado de 2017
Condeixa-a-Nova, 21 de novembro de 2016
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