quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

8 de Março Dia Internacional das Mulheres - reunião aberta Coimbra

O núcleo da UMAR em Coimbra, no âmbito da comemoração do dia Internacional das Mulheres no dia 8 de Março, vem por este meio convidar todas as pessoas, associações e colectivos interessados em dinamizar acções para assinalar esta data em Coimbra, para uma reunião aberta a ter lugar no dia 18 de Fevereiro, pelas 15h, na Casa das Artes.



A Casa das Artes encontra-se situada no nº83 da Avenida Sá da Bandeira, em Coimbra.

Texto de ANTONI TÀPIES: Uma Arte Para Os Ricos?


[Faleceu Antoni Tàpies (Barcelona, 13 dezembro 1923 - 6 fevereiro 2012), um dos mestres da arte de vanguarda do século XX, autodidacta, ligado ao dadaísmo e ao surrealismo. Antifranquista militante, próximo do PSUC (Partido Socialista Unificado da Catalunha) e do socialismo marxista, Tàpies teve uma faceta de escritor e teórico. Este texto foi escrito no"essencial (...) em maio de 1969, motivado por uma de tantas campanhas da imprensa que periodicamente se desencadeiam no país contra o vanguardismo"*].

Tem havido muitas discussões sobre o destino das obras de arte contemporânea na sociedade burguesa. Em todo o mundo voltou a brotar, sob a aparência das mais modernas contestações, um velho tipo de literatura que torna a propagar os antigos clichês do artista ao serviço da revolução. Além disso, considera-se preferível abandonar a arte para se dedicar à revolução. Claro que hoje - ao contrário do que sucedia com esse mesmo tipo de discussões no seio do grupo surrealista - não se sabe de que revolução se trata. Mas o fantasma daquelas vanguardas "clássicas", que, segundo diziam, não faziam nada pelo proletariado, porque estavam ao serviço da burguesia, foi novamente esgrimido, ao serviço, desta vez, de interesses e confusionismos não tão claros.
 
Embora não tenha sido nada de novo, foi saudável e instrutivo o grande esforço feito em reuniões e discussões intermináveis, por parte de estudantes, artistas e críticos durante os eventos de maio de 1968, em Paris. Essas discussões, que ressuscitaram para a juventude uma série de questões relativas à arte e à revolução, deram a oportunidade de esclarecer alguns falsos problemas que sempre foram envolvidos nestas questões e também desenganaram muitas inocências utópicas.
Não sei se podemos considerar muito otimistas as conclusões, mas parece, em todo o caso, que, no campo da arte, todo o mundo está mais ou menos de acordo que já não é possível acreditar em qualquer revolução que não seja essencialmente política, total e continuadamente - ainda que se queira transferir mais responsabilidades sobre a arte e a poesia que noutras atividades - e, portanto, o que é necessário é confrontar-se com o "sistema" na sua totalidade.
 
A análise e a terminologia utilizadas, bem como as analogias que às vezes têm sido feitas entre os problemas da integração da arte na sociedade e os assuntos próprios de um mercado comercial moderno, não nos aclaram demasiadas confusões nem foram sempre bem intencionadas. Achei muito infeliz, por exemplo, a ideia de comparar a vontade de criar um público sensível, objetivo pelo qual sempre luta o artista, com a ideia de abrir novos mercados do estilo neo-capitalista.Assim, o italiano Sanguinetti compara o mundo da arte atual com a economia e vê nele um mercado aberto com todas as suas necessidades de novidade, a confiança, as barreiras protecionistas criadas pelas galerias, críticos e comerciantes, as organizações de museus, bienais, etc. O artista, que nunca pensou em vendas e mercados, fica naturalmente perplexo e faz cruzes ao ver-se metido nisto tudo. Onde querem parar?A boa intenção final de Sanguinetti era mostrar-nos que estes fenómenos do mercado artístico, como os de todos os produtos à venda, são realmente normais e assim serão enquanto não mudarmos o "sistema". "Nada aconteceu aqui, senhores," veio dizer-nos. Mas pelo caminho deixou já a ideia de que o propósito do artista consiste em vender as suas obras, o que é totalmente falso. Isso equivale a repreender Marx porque que tinha proposto apenas vender os seus livros e duvidar do valor das suas ideias pelo simples fato de agora os burgueses encherem com eles as suas bibliotecas.
 
Tudo isso se prestou, naturalmente, as interpretações demagógicas, totalmente desnecessárias para a autêntica arte, que sempre agiu com propósitos altruístas indiscutíveis. O artista procura por todos os meios "mostrar" as suas obras e a venda destas será sempre algo de mais a mais. "O escritor - e isto é igualmente aplicável ao artista - há-de ganhar dinheiro para poder viver e trabalhar, mas de nenhuma maneira há-de viver e trabalhar para ganhar dinheiro...", dizia o jovem Marx.Ele acrescentou que a atividade literária - e artística - deve ter um fim em si mesmo e que a primeira condição para a liberdade de criação há-de consistir, evidentemente, em não convertê-la num meio de existência. Foi a mesma coisa quando se falava do "sucesso" como único elemento para avaliar as vanguardas. Ter sucesso em qualquer empresa pode ser louvável e pode não o ser. No entanto, é certo que a ideia de "sucesso" está hoje ligada a uma certa ideia de aplausos, de vedetismo, de glorificação comercial, que não parece nada apropriada para uma terminologia das questões estéticas
 
Sob os efeitos de uma superficial inspiração marxista, houve uma propensão para tratar tudo com uma mentalidade pan-economicista, moda que a um poeta ou a um artista lhe parecerá sempre muito fora de lugar. Evidentemente que, para ter um auditório há que conseguir previamente uma certa autoridade, um certo prestígio. Mas nunca se chegará a esse ponto unicamente com os mecanismos publicitários próprios do mercado comercial, tantas vezes falsos e enganosos, sem a autenticidade e a profundidade de pensamento manifestadas pelo criador e pela compreensão e a mediação dos especialistas, também autênticos, que o apresentem perante o público; e se assim não for, a crítica de arte não teria razão alguma para existir. De todas as maneiras, faz sempre falta um espaço mínimo de tempo, imprescindível, que em definitivo joga a favor da autêntica obra de arte para integridade necessária. (Não seria mal que, de vez em quando, aparecesse uma secção de "crítica à crítica" nas páginas da imprensa dedicadas à arte.)
 
É interessante observar de onde procediam a maior parte das recriminações mais severas que foram feitas aos artistas, no sentido da falta de consciência revolucionária e especialmente aos dos últimos movimentos. Num conglomerado extravagante estavam de braço dado o autêntico revolucionário e a honrada impaciência juvenil, com o artista ressentido, o fracassado, o político adulador, o aspirante à nova cátedra ou o vendedor e o crítico sem escrúpulos que procuram o seu próprio lançamento e o dos seus novos protegidos.
 
Mas, em geral a euforia radical dos que nos primeiros momentos, com alguma razão, pareciam pôr em xeque a arte, foi mudando para atitudes mais realistas que voltam a reivindicar o possível papel benéfico da própria arte que atacavam, dentro da sociedade, com a preparação da revolução que não chegou a acontecer.
A melhor parte deste assunto é que aqueles que, ignorando por completo a abordagem global do problema, aproveitaram melhor o momento para fazer mais barulho e pôr a circular a ideia de que a arte moderna é destinada às classes abastadas, como sempre foram - percebemo-nos disso - precisamente os que ainda estão agarrados às concepções estéticas académicas; os que ainda continuam a ver beatamente na Beleza umas formas e uns valores intrínsecos imutáveis, precisamente da mesma maneira que a maior parte do mundo do dinheiro - e penso particularmente no nosso país - tudo  quisera também imutável e conservador.
 
Referimo-nos agora aos seus "valores" ou ingredientes de substância material (ouro, prata, pedras preciosas...), embora sejam critérios que alguns utilizam de forma constrangedora, mas o "valor" que para bastante gente continua a ter esta outra riqueza é o trabalho acumulado, a destreza manual, a dificuldade... incluindo a "graça" ou qualquer coisa vagamente chamada de "beleza plástica". Estes continuam a ser, segundo eles, os critérios sérios que, em última análise, contam em estética. Não é de admirar que, para os que pensam assim, a questão da ganância possessiva, o destino material da obra, o fato que vá parar ou não a determinadas mãos de coleccionadores, continua a ser motivo de preocupação.
 
Há quem pense que, com um sociologismo mal digerido, este problema pode ser atenuado através da adopção de procedimentos industriais que os coloquem ao alcance de qualquer orçamento mantendo os mesmos "valores" da riqueza, da mesma forma como, por exemplo, a produção em massa serviu para embaratecer os carros.
A demagogia generalizou-se tanto que afetou inclusivamente os espíritos bem intencionados que, ao não saberem como evitar o final odioso que poderia ter a sua obra, optaram pela solução desesperada de abandonar o trabalho e chegaram a ver na arte uma substância possuída e maldita tal como ouro roubado às filhas de Rin.
 
Mas a verdade é que estes velhos critérios, que causam tantas angústias, nos parecem agora não só supérfluos para a obra de arte, tal como a maioria dos artistas mais novos os considera prejudiciais. Uma obra que custa excessivos esforços (pensemos, como já nos fez observar o compositor Carlos Santos, no aberrante sistema de interpretação de alguns instrumentos musicais ou no esforço inútil de queimar as pestanas copiando coisas que hoje a fotografia pode fazer num instante), contém agora mais um fator negativo, pelo menos, produz hilaridade
A monumentalidade, os materiais "nobres" ou sofisticados, a complicação desnecessária, a robustez, mesmo o que se denominava de "trabalho artesanal honesto", uma obra bem feita... todos eles são critérios bastante desacreditados. Hoje sabemos que os chamados valores estéticos nem sempre são algo que reja a estrutura interna das obras, mas algo que, constituindo uma estrutura mais ampla com as suas circunstâncias, conta mais para o grau de oportunidade, pelo contraste, pela surpresa, pelo choque que pode causar sobre o gosto médio aceitável no seu tempo. Mais do que obras materializadas, trata-se hoje quase de gestos e atitudes que, às vezes, nem sequer custam um esforço material, o que denotaria escravidão ou servidão.
 
A situação de fato já mudou há muitíssimo, desde os acontecimentos de maio em Paris. Com os novos critérios, que importância pode ter para o artista e para a sociedade que alguém, uma vez feito o gesto e contemplado por esta sociedade, e incluso perpetuado, às vezes, em reproduções e livros, se obstine em convertê-lo em objeto apreciável ou insignificante e o acumule em sua casa junto das suas moedas e jóias ou os atire ao lixo? A arte e o artista continuam claramente degradados e marginalizados ou absorvidos maquiavelicamente, na sociedade atual, mas talvez as novas tendências nasçam em função da tomada de consciência desta nova situação.
 
Há quem diga que, é claro, seria preferível que o gesto do artista fosse indefinidamente preservado, num museu ou num lugar público, para que fique como um símbolo para as gerações futuras. E certamente é verdade. Mas podemos exigir ao artista que, no calor da sua luta por algo vital e talvez convincente, recorde que está trabalhando para o dia de amanhã para ser colocado num pedestal? O que conta para ele, agora como sempre, não é o objeto material, que pode desaparecer, não desapareceram por acaso a maior parte das pinturas do grande Mi Fei, por exemplo, mas ainda se continua a falar dele? O que conta, repito, é deixar uma marca real por qualquer meio, uma comunicação viva de que interesse e perdure ainda que as obras desapareçam, ou sejam armazenadas pelos ricos, ou nem sequer tenham existido materialmente.
 
Mas no nosso reino dos erros, apesar de tudo, incluindo os próprios marxistas, vai-se rendendo à evidência, continuando a afirmar com demagogia teimosa que a arte nova é coisa de ricos (até ouvimos dizer que eles são os únicos que a entendem) por serem estes que a compram. E precisamente com o pretenso artista servidor de burgueses são colocados, no pelourinho, o vendedor e até o crítico que o apoia. E que outra coisa melhor, também neste caso, para o coro de carpideiras que ainda não se resignou à morte do folclorismo figurativo paroquial - que é no fundo o que realmente aprecia a burguesia séria - senão este rio turbulento e toda esta literatura sobre o mercantilismo em que desembocou todo o moderno?
 
A gente séria não poupa esforços para dar um ar, quanto mais científico melhor, à sua campanha de descrédito. Nunca esqueceremos, por exemplo, o grande bulício provocado pelo aparecimento do extenso estudo de Raymonde Moulin "Le Marché de la Peinture en France" (Les Editions de Minuit, Paris, 1967). Para alguns, colocou definitivamente a nu os enganos e truques que movem o fios ocultos e influentes de todos os valores estéticos e todas as contribuições da arte contemporânea, que - segundo dizem - são mantidos artificial e discriminatoriamente pelos artistas famosos, seus vendedores e críticos a soldo contra os demais artistas.
Creio que vale a pena ter paciência e parar uns momentos para examinar esta publicação e mostrar não só até que ponto aquele bulício careceu de justificação, mas que era de todo inadequado esgrimi-lo como um documento de prova de uma situação completamente imaginária, que, como nos mostra Raymonde Moulin - goste-se ou não - não corresponde aos fatos. Não se trata, portanto, de defender qualquer argumento em favor do mercado da arte atual, que é odiado pelo artista como tantas outras coisas, mas de mostrar as deturpações que se fazem com a intenção habitual de prejudicar as vanguardas.
 
1) De toda a documentação do livro (que a autora considera uma mera análise sociológica do mercado da arte), Raymonde Moulin assegura que não pretende inferir qualquer julgamento ou qualquer previsão sobre a arte do nosso tempo, tanto as obras de arte considerada de vanguarda como as conservadoras.
Diz que chegou ao convencimento de que a arte moderna obedeceu essencialmente à lógica interna do seu desenvolvimento, que isto é anterior a todo o sucesso comercial e que a história das obras não é redutível à sociologia das restrições da criação. Também diz que o seu valor, como observou Marx, escapa a todas as leis dos bens manufaturados e que os valores estéticos reais, em qualquer caso, só poderão sujeitar-se ao tráfego da oferta e da procura com posterioridade.
 
Só alude um momento a um critério de valorização estética sobre certo tipo de pintura -- e ainda indirectamente -- quando se refere (pág. 70) ao fato de que os grupos de entendidos franceses (profissionais, intelectuais e artistas) se negam hoje unanimemente a conceder o estatuto e a dignidade de obra de arte (cito textualmente) a "cenas folclóricas (do tipo "Perdão na Bretanha" ou "Los gitanos"), paisagens (bosques na primavera e outono, com ou sem veados, lagos de montanha ou orelhas de mar, florestas e frutos cobertos de neve), frutos, pesca, caça, nus e aguarelas turísticas (gôndolas venezianas ou o Sagrado Coração de Montmartre)".Evidentemente, refere-se ao que chamamos "pintura de calendário" ou "de bazar".

2) Raymonde Moulin assegura que, depois de ter feito inúmeras entrevistas e investigações, viu que, em França, há um "mercado nobre de valores estéticos seguros", junto do qual, como em tudo, pulula um "mercado vulgar de quadros de pintores que não tem mais valor do que o dos materiais que o compõem" e que existem outros que estão sujeitos a modas passageiras. Fala-nos de duas classes de comerciantes: um, o "negociante" tradicional, e outro, uma espécie de "empresário" original, inovador, dinâmico ", que não vende uma pintura consagrada e solicitada, mas que deseja ser o descobridor de uma pintura renovadora e, portanto, exerce uma função criadora", como em todos os tempos exerceram os grandes mecenas. Mas também diz, taxativamente, que não são os vendedores quem lança artificialmente os artistas célebres, pois estes são "os únicos responsáveis pelas invenções plásticas e a inovação do comerciante - que situa no plano económico - não é cronologicamente prévia pois são os artistas que o fazem aos grandes comerciantes: esta constatação é evidente "(p.118).
 
3) Dedica um extenso capítulo aos grandes escritores e poetas, de Baudelaire a Apollinaire, de Breoón a Éluard, aos professores, enciclopedistas, críticos profissionais, jornalistas, etc., e diz-nos que, junto aos que podem exercer uma função educativa real, estão também, por desgraça, os escritores que levam a água ao seu próprio moinho, os falsos profetas, os negociantes e os que com a sua ignorância produzem a confusão. Certamente, neste parágrafo a fantasia de Raymonde Moulin -- que de vez em quando se lhe escapa -- faz insinuar que parece ter havido poetas famosos que ajudaram a "elevar"  certos artistas para se dedicarem logo a um comércio oculto com alguns quadros que lhes tinham sido oferecidos. E comete o deslize de citar Paul Éluard como o único exemplo que teria contribuído.
Casualmente conheci de perto a coleção completa que Eluard vendeu em vésperas da guerra, impulsionado pela necessidade, e conheço pessoalmente o comprador. O suposto comércio oculto (publicado em todos os lados) e o grande negócio do pobre Eluard, que Raymonde Moulin se resguarda muto bem de descrever em detalhe, consistiu em livrar-se de 6 obras de Chirico, 10 de Picasso, 40 de Max Ernst, 8 Miró, 3 de Tanguy, 4 de Magritte, 3 de Man Ray, 3 de Dali, 3 de Arp, 1 de Klee, 1 de Chagall, etc., até uma centena de quadros, por um total de 1600£, que, além disso, vendeu a prestações. Só se a isto se chamar atuação mafiosa, estaremos de acordo com o anterior. E assim poderíamos continuar, com a cabeça e a cauda que apresenta o livro, sobre colecionadores, pintores, as vendas públicas, etc.
 
No mundo da arte no país vizinho, como em todas as coisas humanas, deve haver, portanto, os prós e os contras, mas o mesmo aqui como em toda a parte, isto sempre fica fora dos valores estéticos reais que, com o tempo, se vão consagrando sem necessidade de "mafias" de qualquer tipo - não será apesar delas? - e menos ainda de "conspirações do silêncio" ou de "maldades" contra os demais artistas, coisa que, em qualquer caso, está agora mais nas mãos dos críticos de arte do que nos pintores.
 
Uma boa parte do que hoje se apresenta apocalipticamente -- como diría Eco -- é usado como argumento contra a arte actual (até contra o chamado "vedetismo" ofensivo dos artistas) e como uma monstruosidade da "sociedade de consumo" -- não sabemos porque persistente mistério há esta preferência contra os artistas, visto que na realidade isto também se aplica a outras profissões --, uma boa parte do que se diz, repito, representa realmente viver num plano superior histórico em comparação com o que ocorria na arte antiga. A dialética da história não mente. Basta pensar na situação do artista controlada pela Igreja na Idade Média ou pelos reis e aristocratas da época moderna. É óbvio que o nosso não é o melhor dos mundos. E é evidente que o crime continuado contra a cultura não enfraquecerá os nossos ódios e os nossos desejos de mudança. Mas, apesar de todos os inconvenientes e das repugnâncias desumanas, é claro que na atualidade ainda não existe um claro modelo capaz de evitar os males que apodrecem todo o mecanismo "repressivo-comercial", como se diz, criado em torno da arte. Ou talvez alguém pense que seria melhor que uns burocratas designassem a dedo os valores artísticos como se fazem os nossos alcaides ou que fossem designados pelas sociedades de autores e pintores como se passa em muitos países socialistas?
 
Não é porque em torno da arte se tenha erigido toda esta mecânica, nem pelo fato de as obras irem parar às classes abastadas, que a sua verdadeira mensagem ficará afetada. As exposições nas salas de vendedores privados têm entrada gratuita. As reproduções multiplicam-se. Há escritores e existem críticos sérios que podem esclarecer algumas coisas. Os perigos de que esta mensagem não chegue ao povo não se devem precisamente ao destino material das obras. Sabemos que este perigo vem de muitos outros sítios e trata-se de uma responsabilidade que não pode ser atirada em absoluto ao artista, ao vendedor ou ao crítico.
Em todo o caso, repetimos, é todo o "sistema" que deve ser impugnado.
 
* Publicado em Viento Sur.
Tradução: António José André

info ESQUERDA.NET 16/02/2012


Troika: balanço de 9 meses de austeridade


Em 3 de maio de 2011, José Sócrates anunciou aos portugueses que o governo havia chegado a um acordo com a troika. Cerca de nove meses depois, todos os indicadores demonstram que a receita da austeridade só tem resultado em mais recessão e na agudização sem precedentes das condições de vida dos portugueses.



Veja quanto paga com a nova lei das rendas


Respondendo a uma necessidade de esclarecimento que não encontra resposta em nenhum site ou serviço do Estado, o esquerda.net disponibiliza desde hoje um simulador que permite calcular, em tempo real, quanto irá pagar cada inquilino abrangido pelas novas regras de arrendamento propostas pelo Governo.

Estudantes gregos em Lisboa 'Solidários com o povo grego!'


Um grupo de estudantes gregos está a convocar, via facebook, uma concentração para segunda-feira, dia 20 às 18h, no Largo de São Domingos, em Lisboa. Segundo estes jovens, os portugueses, que partilham o mesmo futuro dos gregos, devem manifestar a sua solidariedade para com este povo e para com todas as lutas sociais na Europa.

Abriu a caça ao inquilino


Luís Fazenda

Como entra pelos olhos dentro, a média das rendas vai equiparar-se às altas e especulativas rendas dos chamados "contratos novos". Como se verá em pouco tempo, aliás, a ganância do mercado livre vai levar apenas ao encarecimento de rendas.


Poul Thomsen, o fanático dos cortes salariais


Quem é Poul Thomsen, o representante do FMI na troika que se tem destacado pelas suas afirmações bombásticas, sempre afinadas por uma norma: reduzir os salários? É vice diretor do departamento europeu do FMI, há mais de 20 anos responsável por programas para a Europa de Leste. Ganha mais de 50 salários mínimos portugueses e vive numa mansão em Washington.


"Funcionários públicos insatisfeitos podem sempre demitir-se"


O Vice-Presidente do Grupo Parlamentar do CDS-PP afirmou esta quarta-feira no Fórum TSF que os funcionários públicos que não concordam com a mobilidade geográfica total que o governo pretende impor podem sempre negociar a rescisão de contrato. Para a deputada Mariana Aiveca, com este Governo "a porta da rua é serventia da casa" para quem não aceitar as regras impostas.


Cidadãos lançam manifesto contra "isolamento e discriminação da Grécia"


Cansados de ouvir repetir por políticos e comunicação social que "não somos a Grécia", um grupo de cidadãos diz que essa preocupação é não apenas "chocante" como "desajustada, quando se sabe que a crise não é só grega mas europeia". Leia aqui o manifesto subscrito por Mário Soares, Boaventura Sousa Santos, Carvalho da Silva, Diana Andringa e José Manuel Pureza, entre outros.


16 de Fevereiro
Livros das nossas vidas: Peregrinação de Fernão Mendes Pinto
Com Maria Alzira Seixo. 
Ver 
programa de fevereiro da Casa da Achada.
Lisboa
Casa da Achada18h.

Conversa sobre: “Se a Cultura é inútil, para quê financiá-la?”
serido no ciclo de Conversas sobre o Senso Comum organizado pela Cooperativa Culturas do Trabalho e Socialismo. Com Leonor Barata e António Ferreira. 
Ver 
cartaz.
Coimbra, Galeria de Santa Clara, 21h.

Encontro de Teatro do Oprimido e Ativismo - “Ó Prima!”
Projeção do documentário Metaxis, 16’24’’ / Direção: Centro do Teatro dos Oprimidos / Bastien Thomas Viltart. 
Ver 
programa.
Lisboa
Casa da Achada21h.

Seminário Internacional Fordismo e Pós-fordismo
Ver programa completo.
Lisboa, Edifício I&D, Sala Multiusos 3 da FCSH (Av. Berna, nº 26), 10h.

Projeção do documentário “Desamarras”
A seguir à projeção do documentário que dá a voz a beneficiários do Rendimento Social de Inserção (RSI) no Porto será promovido um debate com João Carlos Louçã. 
Ver 
trailer.
Odivelas
sede do Bloco de Esquerda21h.

Concentração de inquilinos contra nova Lei do Arrendamento
Organização: Associação dos Inquilinos Lisbonenses. 
Ver 
panfleto.
Lisboa, em frente à Assembleia da República (São Bento), 16h.

17 de Fevereiro
“Conversas sobre o senso comum: O ensino de ontem era melhor do que o de hoje?"
Organização: CULTRA, Cooperativa Culturas do Trabalho e do Socialismo com o apoio da Cooperativa GESTO. Com Maria José Araújo (animadora, investigadora) e Arsélio Martins (professor). 
Ver evento no 
facebook.
Porto, Rua José Falcão, 107-111, 21h30.

Encontro de Teatro do Oprimido e Ativismo - “Ó Prima!”
Sessão de Teatro-Fórum Estudantes por empréstimo. 
Ver 
programa.
Lisboa
Casa da Achada21h.

Seminário Internacional Fordismo e Pós-fordismo
Ver programa completo.
Lisboa, Edifício I&D, Sala Multiusos 3 da FCSH (Av. Berna, nº 26), 10h.

Conversas do Senso Comum “Andámos a viver acima das nossas possibilidades?”
Organização da Cooperativa Culturas do trabalho e Socialismo. Com Fernando Rosas, Mariana Mortágua e António Goulart. 
Ver 
cartaz.
Faro, “
Os Artistas", 21h.

18 de Fevereiro
Palestra: “Mário Dionísio e o Desenho”
Com Paula Ribeiro Lobo. 
Ver 
programa de fevereiro da Casa da Achada.
Lisboa
Casa da Achada16h.

Encontro de Teatro do Oprimido e Ativismo - “Ó Prima!”
Sessão de Teatro-Fórum X – Perar. Grupo de Teatro Fórum ValArt | GTO LX. 
Ver 
programa.
Lisboa, Centro de Cultura e Intervenção Feminista, 16h.

Encontro de Teatro do Oprimido e Ativismo - “Ó Prima!”
Projeção do documentário Jana Sanskriti, um Teatro em Campanha, 52’, Jeanne Dosse. Ver programa
Lisboa
Centro de Cultura e Intervenção Feminista21h.

Noite de Cinema na sede dos Precários Inflexíveis
Projeção do filme "El Método", 2005, 115min, de Marcelo Piñeyro. 
Ver 
agenda.
Lisboa, Sede dos Precários Inflexíveis (R da Silva 34 - Santos, 21h30.

Pedro e Diana ao Vivo na Associação de Residentes de Telheiras
Organização: Cineclube de Telheiras. 
Mais 
informações.
Lisboa
Associação de Residentes de Telheiras ,17h30.

Jantar Aniversário do Bloco de Esquerda
Com Francisco Louçã. Inscrições para 919500851 ou 961708749. 
Ver 
cartaz.
Leiria, Restaurante Santos (Av. Paulo VI – Vale Sepal), 20h.

19 de Fevereiro
Encontro de Teatro do Oprimido e Ativismo - “Ó Prima!”
Sessão de Teatro-Fórum Quem decide as tempestades?. Apresentação da peça do grupo Mulheres na Pesca dos Açores. Ver programa.
Lisboa
Casa da Achada21h.



20 de Fevereiro
Projeção do filme: “O homem da manivela”
De Edward Sedgwick, 1928, 69 min. 
Ver programa de fevereiro da Casa da Achada.
LisboaCasa da Achada18h.


Iniciativa: “Solidários com o povo grego!”
Organizado por estudantes gregos em Lisboa. 
Ver evento no facebook.
Lisboa, Largo de São Domingos, 18h.



"Se a cultura é inútil, para quê financiá-la?"


3ª Conversa sobre o Senso Comum. 

16 Fev.| 5ª feira | 21 horas | Galeria de Santa Clara
Conversa com Leonor Barata (coreógrafa) e António Ferreira (cineasta)



"Conversas sobre o senso comum".

Na televisão como nas conversas de café, no que se diz no metro ou no autocarro, no que ouvimos na escola ou no trabalho, há um conjunto de ideias a partir das quais se discutem mas que raramente são discutidas em si mesmas.

Em 4 quintas-feiras seguidas, às 21h00, vamos pôr em discussão em Coimbra algumas das ideias de senso comum que se difundem e que vale a pena desconstruir. A iniciativa é organizada pela CULTRA, Cooperativa Culturas do Trabalho e do Socialismo e conta com o apoio da Galeria de Santa Clara.

As conversas terão lugar na Galeria de Santa Clara (Rua António Augusto Gonçalves, 67, ao Portugal dos Pequenitos)

2 Fev.
“Como (não) pagar a dívida?"
Conversa com Mariana Mortágua (economista) e José Castro Caldas (economista e investigador do Centro de Estudos Sociais)

9 Fev.
“A Educação de ontem é melhor do que a de hoje?"
Conversa com Rosário Gama (professora) e José Soeiro (sociólogo)

16 Fev.
“Se a cultura é inútil, para quê financiá-la?"
Conversa com Leonor Barata (coreógrafa) e António Ferreira (cineasta)

23 Fev.
“Quem pode deve pagar mais pela saúde?"
Conversa com António Rodrigues (médico) e Mauro Serapioni (investigador do Centro de Estudos Sociais).